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O Método Montessori respeita o ritmo e a individualidade das crianças, podendo ser aplicado em sala de aula e em casa.

 

Os Colégios Sion Batel e Solitude são as únicas escolas de Curitiba a aplicarem o Método Montessori em sala de aula. Para reforçar o que os seus filhos aprendem no ambiente escolar, os pais podem praticar em casa algumas atividades montessorianas. Mas antes de apresentá-las, explicaremos como surgiu e como funciona esta metodologia. Vamos lá?

 

 

Montessori é o sobrenome da precursora do método, Maria Montessori, que nasceu na Itália em 1870. Ela foi a terceira mulher a se formar em medicina e a segunda a exercer a profissão em seu país – não é demais?

Atuando na psiquiatria, ela percebeu que as crianças precisavam de uma abordagem mais humana em sala de aula, uma abordagem que respeitasse seu próprio tempo e seu próprio ritmo de desenvolvimento.

Além disso, a fundadora do Método Montessori notou que crianças com necessidades especiais precisam de estímulos adequados para potencializar a sua capacidade de aprendizado. É por isso que, nas salas de aula montessorianas, as cadeiras e mesas possuem a mesma altura das crianças, assim como todos os materiais sensoriais didáticos.

Em 1907, Maria Montessori criou a primeira “Casa dei Bambini” (Casa das crianças) e, nos anos 1940, a metodologia se espalhou pelo mundo.

 

A filosofia Montessori possui 3 princípios básicos:

1. Educação para a paz: que ocorre de forma ativa, onde as crianças são incentivadas a participarem da sociedade buscando o bem estar de todos. Mais do que compartilhar conhecimento, as escolas montessorianas ensinam como esse conhecimento será utilizado no coletivo.

2. Educação é ciência: a pedagogia montessoriana se baseia em preceitos científicos que respeitam as leis de desenvolvimento das crianças e suas fases evolutivas.

3. Educação cósmica: trata da estreita relação que a sociedade humana possui com a natureza, buscando pela harmonia da vida. Nos colégios Sion Curitiba trabalhamos com mais uma dimensão do método montessoriano: a visão de Hélène Lubienska, aluna e amiga de Maria Montessori, que aborda a pedagogia do sagrado, onde implementamos recursos para que as crianças emerjam em sua consciência e espírito. Independente da opção religiosa, a cultura da paz é parte da identidade montessoriana – tanto é que em 1949, 1950 e 1951, a fundadora do método foi indicada ao Nobel da Paz.

Ao escolher a escola de seu filho, tenha em mente que a pedagogia montessoriana é um método educacional, ou seja, é o que definirá o currículo, o material pedagógico e a forma como o professor irá conduzir as aulas. Existem escolas montessorianas sem um referencial religioso (isto é, escolas laicas) e colégios coordenados por grupos religiosos de tradições diversas. Portanto, a família precisa considerar esses fatores na hora de realizar a matrícula.

 

Como tudo isso funciona na prática?

O ingrediente fundamental na metodologia montessoriana é a autoeducação, ou seja, é a criança quem irá definir o seu próprio ritmo de aprendizagem e irá dizer quando está pronta para o próximo passo. Para que isso ocorra, ela precisa ter a sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos conforme ela demonstra interesse. Aqui, o conhecimento é aprofundado passo a passo.

Quer um exemplo disso? Ao aprender sobre as cores, o primeiro material que a criança tem acesso contém apenas as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Depois, ela passa para o segundo material, que contém 11 cores. Num terceiro estágio, ela interage com mais cores ainda, organizadas de acordo com a graduação.

 

E em casa? Como os pais podem incluir a filosofia montessoriana no dia a dia de seus filhos?

O primeiro passo é deixar tudo na mesma altura e a disposição da criança. A cama deve ser de fácil acesso, podendo ser colocada no chão. O local onde a criança realiza as suas refeições também deve ser acessível, por isso indica-se o uso de mesinhas e cadeiras em “miniatura”. A ideia é que a criança explore o espaço, seja dentro de casa ou no quintal. Portanto, certifique-se de que os locais por onde ela irá circular sejam seguros.

Os objetos do dia a dia também devem possuir o tamanho adequado, ou seja, pratos, talheres, escovas de dentes, pentes de cabelo e afins devem ser pequenos.

Ao dispor brinquedos e livros na altura da criança, mantenha o ambiente organizado e atrativo. Você pode separá-los por tipo, por exemplo, o que irá chamar a atenção da criança.

Outro ponto chave é o trabalho “sensorial”, por isso, deixe o seu filho usar as mãos sempre que possível. Além disso, não o interrompa quando ela estiver “trabalhando” ou brincando. Mesmo que ele não esteja realizando uma atividade da forma como se espera, deixe que ele mesmo resolva a questão. Manifeste-se apenas quando ele pedir a sua ajuda. Caso a criança desista da atividade por não saber como executá-la, mostre com movimentos lentos e precisos como ela deve ser realizada.

Você também pode incluir a criança nas tarefas domésticas: peça para ela separar a roupa suja, arrumar seus brinquedos, comer sozinha ou “ajudar a cozinhar”.

Para se comunicar com o seu filho, abaixe-se e fique na mesma altura que ele. Fale olhando nos olhos. No lugar de críticas e julgamentos, explique, ensine, mostre como ele pode aprender com os seus próprios erros. Seja o exemplo, afinal, toda criança é o reflexo de seus pais e do ambiente ao qual ela vive.