Colégio Sion realiza retrofit no ano em que completa 120 anos de história

Ao celebrar 120 anos de trajetória, o Colégio Sion Curitiba passa por um processo de retrofit na sede Batel, que alia preservação histórica e atualização de seus espaços. As intervenções marcam um novo ciclo para o colégio, que busca qualificar a experiência de alunos e famílias sem abrir mão de sua identidade consolidada ao longo de mais de um século.

Mais do que uma renovação física, o projeto representa um movimento estratégico. A proposta parte do princípio de que tradição e inovação não são opostos, mas complementares. O objetivo é garantir que o colégio continue relevante no cenário educacional contemporâneo, mantendo os valores que o definem desde sua fundação.

Valorização da história e qualificação dos espaços

As obras começaram pela revitalização do muro da Avenida Dom Pedro II, com foco na reorganização visual e na melhoria dos acessos. A intervenção buscou equilíbrio entre modernização e respeito ao conjunto arquitetônico existente, preservando materiais e reforçando o caráter acolhedor da entrada principal.

Na sequência, o edifício histórico do colégio, um dos marcos da instituição, recebeu atenção especial. Com o adensamento urbano ao redor, sua imponência havia perdido destaque ao longo do tempo. O retrofit resgata essa presença, valoriza elementos originais e devolve protagonismo à construção. A proposta reposiciona o prédio como um símbolo ativo da história do Sion, agora adaptado às demandas atuais.

Outro ponto relevante foi a requalificação do mural de Claudio Pastro, localizado na Avenida Taunay. A obra passou a ser tratada como arte urbana, integrada à paisagem da cidade e apresentada à comunidade como parte do patrimônio cultural do colégio.

Já as passarelas cobertas, antes vistas apenas como áreas de circulação, ganharam nova função. Com a intervenção, tornaram-se espaços mais amplos, iluminados e convidativos, estimulando a convivência, permanência e interação entre os alunos.

Arquitetura como expressão de identidade

Responsável pelo projeto, o arquiteto Bruno Ronchi, do escritório Curiosità – Arquitetura Criativa, destaca que o desafio foi ir além das soluções técnicas e compreender a essência da instituição.

“Este projeto representou, para mim, um desafio que vai além da arquitetura em seu sentido técnico. Como valorizar um ícone do Batel sem descaracterizar sua essência centenária? Como preservar a materialidade natural, tão alinhada aos princípios da pedagogia montessoriana, ao mesmo tempo em que se projeta o futuro?”, afirma.

Segundo Ronchi, o processo exigiu sensibilidade e escuta para traduzir, em forma e espaço, a identidade do colégio. “Mais do que propor intervenções físicas, o objetivo foi preservar o espírito do lugar: manter vivas as lembranças daqueles que passaram pelo colégio e, ao mesmo tempo, criar novas camadas de significado para as gerações atuais e futuras”, destaca.

O arquiteto também ressalta o caráter pessoal do projeto. Curitibano e com experiência em arquitetura educacional, ele encontrou no Sion uma conexão com sua própria vivência escolar. “Trabalhar nesse equilíbrio entre passado e futuro, tradição e transformação, foi a parte mais desafiadora e também a mais enriquecedora”, completa.

Um legado que se renova

O retrofit do Colégio Sion evidencia um posicionamento claro: preservar a memória institucional enquanto se adapta às exigências contemporâneas da educação. Ao investir na qualificação dos espaços, a instituição reforça seu compromisso com a formação integral dos alunos e com a construção de ambientes que favoreçam aprendizagem, convivência e pertencimento.

Ao completar 120 anos, o Sion Curitiba não apenas celebra sua história, mas reafirma sua capacidade de se reinventar. O resultado é uma arquitetura que dialoga com o tempo, respeita o passado, responde ao presente e projeta o futuro.