Profissional atua em diferentes áreas ligadas à vida e contribui para a pesquisa, a educação, a saúde e a conservação ambiental
A Biologia está presente em diferentes dimensões da vida. Do funcionamento de uma célula à dinâmica de um ecossistema, o conhecimento produzido pela área ajuda a compreender processos que influenciam a saúde, o ambiente, a educação e a própria existência humana. Nesse contexto, o trabalho do biólogo envolve diferentes campos de atuação e contribui para interpretar as relações entre os seres vivos.
Para o biólogo Rodrigo Mengarelli, compreender a vida exige observar diferentes escalas e estabelecer relações entre elas. Especializado em Microbiologia e Imunologia, ele destaca que sua formação permitiu conhecer estruturas que não podem ser observadas a olho nu, mas que interferem diretamente na vida e na relação dos organismos com o ambiente.
“Ser biólogo é, antes de tudo, buscar compreender a vida em sua enorme complexidade”, afirma. Segundo ele, uma das características da formação em Biologia é justamente a possibilidade de transitar entre diferentes níveis de organização. “Podemos olhar para uma célula, um microrganismo ou uma molécula e, ao mesmo tempo, compreender populações, ecossistemas e o próprio planeta como um grande sistema de relações.”
Uma profissão com diferentes campos de atuação
A amplitude da Biologia também se reflete nas possibilidades profissionais. O biólogo pode atuar em pesquisa científica, educação, saúde, meio ambiente, conservação da biodiversidade, biotecnologia e análises laboratoriais, entre outras áreas.
Mengarelli teve formação em Biologia e especialização acadêmica em Microbiologia e Imunologia, mas sua trajetória profissional se aproximou da educação. “Essa diversidade profissional reflete a própria amplitude da Biologia: estudar a vida significa necessariamente dialogar com diferentes conhecimentos e diferentes problemas da sociedade”, explica.
A atuação do profissional, portanto, não se limita ao trabalho em laboratórios ou ambientes naturais. Ela também pode ocorrer em espaços de formação, contribuindo para a construção do conhecimento científico e para o desenvolvimento da capacidade de investigação.
Ciência começa com perguntas
Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mengarelli trabalha há 17 anos com a formação de professores para o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nesse período, percebeu que ensinar Ciências e Biologia envolve mais do que apresentar conceitos.
“Formar professores de Ciências e Biologia significa muito mais do que transmitir conhecimentos científicos”, afirma. Para ele, o trabalho também consiste em ajudar futuros professores a desenvolver formas de estimular a curiosidade e a capacidade de observar, perguntar, investigar e compreender o mundo.
Essa perspectiva modifica a maneira como o conhecimento científico é apresentado aos estudantes. Em vez de uma lista de conceitos para memorizar, o ensino pode partir da observação e das perguntas feitas a partir da realidade.
“A Ciência nasce das perguntas que fazemos sobre aquilo que nos cerca. Por isso, ensinar Ciências é também ensinar a observar e a estabelecer relações”, destaca.
Preservação envolve a própria sociedade
A atuação do biólogo também está relacionada à compreensão dos impactos provocados pelas transformações ambientais. Para Mengarelli, a preservação da natureza não deve ser tratada como uma ação voltada para algo externo à sociedade.
“Preservar a natureza não significa proteger alguma coisa que está fora de nós. Significa preservar as próprias condições que tornam nossa existência possível”, afirma.
A biodiversidade ocupa um papel importante nessa compreensão. A diversidade genética, de espécies e de ecossistemas amplia as possibilidades de adaptação dos seres vivos diante das mudanças ambientais. Alterações em um ambiente também podem gerar efeitos em diferentes níveis de um ecossistema.
Por isso, segundo o biólogo, a preservação deve ser entendida também sob perspectivas social e ética. “Precisamos substituir progressivamente a ideia de domínio sobre a natureza pela compreensão de pertencimento a ela.”
Biologia começa também pela experiência
A relação de Mengarelli com a educação ganhou outra dimensão por ser pai de alunas que estudam no Colégio Sion e aprendem Ciências pelo Método Montessori. A partir dessa experiência, ele observa aproximações entre a proposta pedagógica e o ensino das Ciências Biológicas.
Entre os aspectos que destaca está a valorização da experiência concreta, dos sentidos, da observação e da experimentação. Para ele, esse processo apresenta afinidade com a forma como o conhecimento sobre a natureza pode ser construído.
“Antes de conhecer conceitualmente a natureza, a criança pode tocá-la, observá-la, compará-la, formular perguntas sobre ela e perceber seus processos”, explica.
O respeito à individualidade também é apontado pelo professor como uma característica relevante. Cada criança possui seu próprio ritmo e suas formas de construir conhecimento. Ao mesmo tempo, essa valorização não precisa resultar em isolamento. A interação entre os estudantes permite que eles aprendam, ensinem, observem e colaborem.
“Vejo, portanto, na proposta Montessori uma aprendizagem profundamente humanizada e afetiva, na qual autonomia e responsabilidade caminham juntas”, afirma.
Para o ensino da Biologia, essa abordagem pode contribuir para desenvolver uma compreensão que passa do micro ao macro. O estudante pode observar uma célula ou um organismo e, posteriormente, compreender populações, ecossistemas e as relações que estruturam o planeta. “Aprender Biologia é, em grande medida, aprender que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos”, conclui Mengarelli.