No Dia do Contador de Histórias, celebrado em 20 de março, profissionais que mantêm viva a tradição da oralidade reforçam o papel da narrativa na formação cultural e emocional de crianças, jovens e adultos. Em Curitiba, a empresária, publicitária, escritora e contadora de histórias Cristiane Giamberardino Rochavetz Rosa construiu uma trajetória que une memória afetiva, formação técnica e atuação social.
A relação com as histórias começou ainda na infância. “Tenho memória afetiva de contação de histórias com minha avó materna. Ela sempre me contava histórias da sua vida e outras tantas inventadas”, relembra. Além das narrativas familiares, Cris cultivava o hábito de ouvir discos de vinil com contos clássicos. “Passava horas ouvindo as narrativas. Esses fatos geraram um encantamento interno”, afirma.
Formação e especialização
O encantamento se transformou em decisão profissional em 2007, quando buscou formação no Instituto História Viva. “Fiz o curso A Arte de Contar Histórias para ser voluntária como contadora de histórias em hospitais. Essa experiência foi transformadora e me motivou a buscar estudos e especializações na área”, conta.
A partir daí, investiu em cursos livres, extensão e pós-graduação. Passou pela Casa do Contador de Histórias de Curitiba, fez pós-graduação em Contação de Histórias e Literatura Infantojuvenil, aperfeiçoamento em Narração Oral e Literatura Infantil, além de curso de Mediação de Leitura. Atualmente, amplia o repertório com estudos em ventriloquia. “O estudo é contínuo”, resume.
Com formação consolidada e vivência em hospitais, escolas, feiras literárias, casas de repouso e casas de passagem, Cris também passou a ministrar cursos de formação. “Hoje compartilho essa experiência formando novos contadores de histórias”, explica.
Técnica, entrega e presença
Para quem deseja ingressar na área, ela aponta que a técnica é importante, mas não é o ponto de partida. “O principal é a vontade. Querer se doar através de uma história, colocar sua energia, criatividade e entrega numa contação”, afirma.
Segundo ela, a narração oral exige domínio de recursos expressivos. “O olhar, as expressões faciais e corporais e a voz são atributos fundamentais. A história passa pelo corpo inteiro”, destaca.
Literatura autoral e mediação de leitura
Além de contadora de história, Cris também é autora de literatura infanto-juvenil com as obras Plufstein e Gargarria, além de participar com poemas em diversas antologias poéticas. Atualmente, organiza duas coletâneas, sendo uma em homenagem ao livro O Pequeno Príncipe, em parceria com a irmã.
A autora utiliza suas próprias obras nas apresentações. “A contação é diferente da leitura, uma complementa a outra e abre caminhos de reflexão e encantamento diversificados”, explica. No caso de Gargarria, a performance ganha reforço cênico. “Tenho até fantoches para enriquecer a contação”, conta.
Propósito e impacto social
A atuação de Cris abrange diferentes públicos e contextos: grupos de estudo, palestras, seminários, feiras literárias, escolas, casas de repouso, hospitais e formações em geral. “É para todas as idades”, afirma.
Para ela, o retorno vai além do reconhecimento profissional. “Traz muita alegria e felicidade. Costumo falar que quando estou contando histórias eu sou. Estou exercendo meu propósito, aquilo em que acredito”, declara.
À frente da CriSatividade Saberes e Narrativas, Cris concilia o trabalho profissional com ações voluntárias. No Dia do Contador de Histórias, sua trajetória evidencia que narrar é mais do que entreter: é criar vínculos, ampliar repertórios e oferecer experiências que permanecem na memória.